
Rio Branco (AC)
A história de Ozéias da Silva Figueiredo, conhecido como Mestre Caboquinho, é um exemplo de como a capoeira pode mudar destinos. O acreano transformou uma infância marcada por perdas e dificuldades em uma trajetória de superação, conquistas e dedicação à cultura afro-brasileira.

O primeiro contato com a capoeira veio aos 8 anos de idade, por meio de um programa social da FUMBESA, na Estação Experimental. Foi também nesse período que ele enfrentou a perda da mãe, passando a ser criado apenas pelo pai, Daniel Figueiredo, junto aos cinco irmãos.
Caboquinho era o caçula entre os homens e foi o irmão mais velho, Zezinho, quem o levou à primeira aula — um gesto simples que mudaria para sempre o rumo de sua vida.
A infância foi marcada por desafios. Houve dias de fome, noites nas ruas e até pedidos de comida nas praças de Rio Branco. Mesmo em meio às dificuldades, a capoeira se tornou abrigo, força e caminho.
Aos 17 anos, tornou-se pai de Brian, seu primogênito. Entre o trabalho e os treinos, aprendeu a equilibrar sonhos e responsabilidades. Quando viajou ao exterior para expandir o trabalho com a capoeira, o filho ficou sob os cuidados do avô. Hoje, Brian é um profissional respeitado e pai de dois filhos — os netos que enchem de orgulho o Mestre.
Nas rodas, Caboquinho sempre foi destaque pela agilidade e coragem. Além da capoeira, também competiu em Kickboxing, conquistando posições de destaque em campeonatos. Mesmo com o reconhecimento em outras modalidades, a capoeira permaneceu como sua maior paixão e missão de vida.
Durante a trajetória, integrou grandes grupos nacionais. No Capoeira Brasil, formou-se Instrutor; e, em 2000, alcançou o título de Professor pelo Grupo Candeias. A partir daí, levou a cultura afro-brasileira a eventos em diversos estados e também no exterior, em festivais e apresentações que divulgaram o nome do Acre.
Após anos de viagens, decidiu retornar a Rio Branco para recomeçar. Nesse período, reencontrou Érika Brito, conhecida na capoeira como Amorzinho, com quem construiu uma nova família. Do relacionamento nasceu Noah Máximo, um menino autista, sensível e inteligente, que trouxe ainda mais propósito à vida do Mestre.

Em 2005, Caboquinho fundou a Associação Cultural e Desportiva AcreBrasil Capoeira, consolidando um dos principais projetos de inclusão social e cultural do estado. A sede, construída com muito esforço, é hoje um centro de referência que atende crianças, jovens, adultos e idosos — incluindo pessoas com deficiência.
Mais do que ensinar golpes, o Mestre ensina valores. O trabalho da AcreBrasil Capoeira promove educação, cidadania e orgulho cultural, formando não apenas atletas, mas cidadãos conscientes do poder transformador da capoeira.
Com mais de 20 anos de dedicação, Mestre Caboquinho é hoje uma das maiores referências da capoeira acreana. De um menino que lutava para sobreviver, nasceu o homem que luta para transformar vidas.
“Mais do que formar atletas, ele forma cidadãos.
Mais do que ensinar golpes, ele ensina valores.
Mais do que manter uma tradição, ele transforma vidas.”
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